quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Porta
Então veio você
e me trouxe a felicidade.
E foi tanta e tão certa
que deixei a porta aberta
p'ra ela não mais ter que bater.
Para quê...
Eu, que apenas era,
de sorrir passei a sofrer:
essa porta que meu peito cerra
nunca mais ouviu de você.
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Batidas na porta da frente...
Essa letra é uma das melhores... Perfeita para essa semana.
RESPOSTA AO TEMPO (ouvir)
Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Prá ter argumento...
Mas fico sem jeito
Calado, ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei
Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há folhas no meu coração
É o tempo...
Recordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei...
E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos...
Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto...
E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver...
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer...
Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto...
E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver...
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, e ele não vai poder
Me esquecer...
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer...
domingo, 21 de outubro de 2007
F1
Preciso parar!
Nervos e Punhos
sábado, 20 de outubro de 2007
Frase
Será um desabafo?
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
"Maracanã - o estádio da família brasileira"
Como eu odeio a mídia tendenciosa...
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Nosso Partido Alto
começamos a dançar
a batida do pandeiro
como que a avisar
que nosso Partido Alto
nós iríamos cantar
que nosso Partido Alto
nós iríamos cantar
O improviso foi tão certo
resolvemos não parar
outra noite, outro samba
outra vez nós dois no ar
e nosso Partido Alto
continuamos a cantar
e nosso Partido Alto
continuamos a cantar
Mas por coisas desta vida
não pudeste mais ficar
o meu surdo e o meu peito
eu calei para esperar
que nosso Partido Alto
nós voltemos a cantar
que nosso Partido Alto
nós voltemos a cantar
***
(Esse feriado me inspirou...)
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Faz tempo
(abaixo, texto da Clarice enviado por um grande amigo - achei perfeito para hoje)
Sobre a Escrita...
(Clarice Lispector)
Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio.
Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases?
A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la.
Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade.
A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma idéia.
Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço,
mais sou capaz de pensar o meu sentimento.
Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro
dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável
por um extrema simplicidade de linhas. Todas as palavras que digo -
é por esconderem outras palavras.
Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso?
Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra,
talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada.
Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente
me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra,
só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco
de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento
sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade.
Simplesmente não há palavras.
O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo.
Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano
e que o uso da palavra falada e escrita são como a música,
duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos,
do reino animal, e mineral e vegetal também. Sim, mas é a sorte às vezes.
Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse
ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranqüilidade
ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas.
Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro melhor
acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial.
Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser
o de um crepúsculo e pode ser uma aurora.
Simplesmente as palavras do homem.
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
sábado, 25 de agosto de 2007
A Terra seguirá
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Demasiado humanos?
Até a parte em que cheguei no Da natureza humana, alguns pontos ficaram claros para mim. O autor quer questionar o quanto o comportamento social humano é determinado geneticamente. Sua argumentação está me parecendo muito flexível, ou melhor, "não-radical", na falta de outro termo. Pois ele não chega a dizer que (um exemplo bem fraco, mas...) um filho de assassino também será assassino. Seu caminho é outro – ele fala mais em termos sociais, ou macro-sociais, com indícios retirado de estudo de populações, e não tanto de casos individuais e específicos.
Wilson leva adiante – seguindo o pensamento evolucionista de que partimos de uma origem comum a outras espécies, como macacos e chipanzés – comparações entre seres humanos e outras categorias de animais e mostra evidências de características de comportamento social compartilhadas. Ele diz, por exemplo (WILSON, E.. Da natureza humana. Ed. da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1981, pág. 20.):
- nossos grupamentos sociais íntimos reúnem entre dez e cem adultos; jamais dois, como na maioria das aves e sagüis, ou até milhares, como em muitas espécies de peixes;
- os machos são maiores que as fêmeas (há um uma série de informações sobre esse aspecto...);
- os jovens são moldados (não seria melhor dizer educados? hehe) através de um longo período de treinamento social, primeiro com a mãe, depois, em grau crescente, com outras crianças da mesma idade e sexo;
- o jogo social é uma atividade fortemente desenvolvida, incluindo a prática dos papéis sociais, a agressão simulada, a prática sexual e a exploração.
Fazendo também comparações com outros mamíferos, ele defende que alguns dos sinais usados para organizar o comportamento podem ser derivados dos costumes ancestrais ainda exibidos por macacos do Velho Mundo (seria Ásia?? África??) e pelos grandes símios. A expressão de medo, o sorriso, e até a gargalhada encontram paralelos nas expressões faciais dos chimpanzés – sendo que esses também demonstram, ainda que em grau muitíssimo menor que a nossa, uma capacidade de comunicação simbólica. Nós, humanos, somos seres de comportamento basicamente simbólico.
Onde quero chegar? Bem, acredito, sim, que parte do que somos vem de nosso lado animal. Temos o costume de esquecer dessa origem, dessa nossa natureza, que nos deixou, certamente, heranças comportamentais. Não estou sendo determinista, mas acredito que o comportamento social humano é resultado de uma mescla entre genética (comportamento de espécie) e cultura. Só não sei o peso de cada um no fim das contas...
Depois disso tudo, e percebendo a natureza ao redor, o que me questiono é se estamos ficando mais ou menos humanos com o passar dos tempos. O que seria "humano"? Se encararmos humano como "não-animal", tudo o que nos afasta dos comportamentos animais seria, então, "humanizante". Bem, não percebo em animais (e talvez menos ainda em nossos "parentes" primatas e mamíferos), pelo menos não em um grau tão elevado como em nossa sociedade, a exploração, o assassinato, o individualismo, o egoísmo exacerbado, a corrupção, a desonestidade... Talvez assim estejamos nos humanizando, não? Ao agir seguindo essas condutas tão pouco praticadas na natureza... Não seria melhor, então, sermos mais animais do que humanos? Não seria melhor nos "desumanizarmos" um pouco? É claro que existe a parte ruim de cada espécie, a dose de maldade em um ou outro indivíduo etc. Mas quem presta atenção no mundo natural sabe que há "regras" que inexplicavelmente harmonizam tudo no fim das contas. Basta analisar uma cadeia alimentar qualquer: tudo bonitinho, funcionando – ciclos com altos e baixos de predaores e prezas, alimento disponível, território necessário etc. Até que uma ação humana interfira.
Não sei se consegui expressar tudo o que se passa em minha mente quando uno todos esses conceitos e fico pensando... Mas me pergunto se não é o caso de deixarmos de ser tão humanos, demasiado humanos (ainda lerei o livro de Nietzsche), voltar mais a nossa parte animal... Quem sabe assim consigamos nos enquadrar na harmonia natural que flui quando paramos de impor nossa humanidade por aí.
Amor pós-moderno
Amor pós-moderno
Naqueles momentos típicos de solidão,
ao dormir ou acordar,
vejo não sentir-me mais só.
Agora sempre tenho um sorriso
esboçado ao canto da boca
e refletido internamente na alma.
Tudo hoje é fulgáz, dizem por aí.
Mas ainda assim, uma imagem permanece:
nós.