quinta-feira, 17 de maio de 2007

Greve e dólar

Hoje parece que vai ser um dia de greve estudantil (acabei de ver num informe por email, ainda preciso confirmar). Ontem os funcionários da USP começaram sua paralização. Na próxima quarta, os professores decidirão se entram ou não em greve. E tem ainda a greve no Ibama, no Metrô de SP e sei lá mais onde... O que isso quer dizer? Será que só esses que estão entrando em greve estão insatisfeitos? Acho que o país todo está.

Enquanto isso, o dólar despenca porque o Brasil tirou "BB+" (é isso?!!?) numa avaliação internacional dos riscos de investimentos aqui; a negada lá de fora "investe" no país porque a taxa de juros é maior que quase todos os outros lugares do globo e essa chuva de dólares faz sua cotação cair ainda mais; as importações ficam mais baratas; a indústria nacional vai sofrer e talvez pessoas percam emprego; nada que tem o preço atrelado ao dólar diminui de valor (mas sempre aumenta quando o dólar aumenta!!); o $$ que os investidores estrangeiros ganham vai todo embora, não é aplicado em indústria, mas em rendimentos (ou seja, não produz nada para o país); os bancos certamente se dão bem; quem quer viajar para o exterior ama - mas quem é que pode viajar pro exterior? Classes mais altas, né...

Será que daqui a 50 anos as coisas vão estar como?

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Mãos dadas

Às vezes andamos de mãos dadas,
mas então eu solto a sua
ou você solta a minha,
e atravessamos a rua
em busca de outras coisas;
eu sinto o vento no rosto,
sinto outros lábios no ouvido,
sinto o dia amanhecer
e vejo o outro lado vazio.

Então sinto sua falta,
e isso não sei se é amor,
mas é algo aqui dentro
que me faz voltar sempre
e querer segurar sua mão.

Às vezes andamos de mãos dadas,
mas então cada um vai para um lado
e andamos em calçadas opostas,
tentando achar novos rumos.
E eu vejo estranhos passarem,
eu faço novos amores,
encontro novas esquinas,
mas sempre lembro da nossa.
Aquela onde sua mão
segurou a minha tão forte,
naquele segundo último
antes de começarmos tudo outra vez.

Então sinto sua falta,
e isso não sei se é amor,
mas é algo aqui dentro
que me faz voltar sempre
e querer segurar sua mão.

Parabéns : para o bem

Nessa semana aprendi a origem da expressão "parabéns". Segundo um professor, ela resume milhares de anos da doutrina católica, na época que conhecemos como Idade Média. Segundo seu pensamento, tudo pode ser usado para o bem ou para o mal. Então se, por exemplo, um político vence uma eleição, damos a ele "parabéns", dizendo, no fundo, que ele use essa conquista "para o bem". Se alguém completa aniversário, dizemos parabéns, que essa pessoa viva (mais outro ano etc) "para o bem".

Gostei disso.

Nosso querido governador de SP...



















... veio com tudo.



As universidades estaduais que o digam.
O pior é que as opções de voto, fora ele,
foram Mercadante e Quércia. Assim fica difícil.

(foto retirada do UOL Últimas Notícias)

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Música da semana

Passei os últimos dias com essa música na cabeça...
Cartola mostrou que a poesia não exige estudo, mas sentimento.


O mundo é um moinho

Ainda é cedo, amor
mal começaste a conhecer a vida
já anuncias a hora de partida
sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco a tua vida
e em pouco tempo não serás mais o que és

preste atenção, o mundo é um moinho
vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
vai reduzir as ilusões a pó...
Ouça-me bem, amor

Preste atenção, querida
de cada amor tu herdarás só o cinismo
quando notares estás à beira do abismo
abismo que cavaste com teus pés

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Câmara dos Deputados aprova aumento de salário de 28%

Foi aprovado, em votação simbólica na Câmara, o aumento de 28,53% no salário dos deputados federais, passando de R$ 12.847,20 para R$ 16.512,09. Além da elevação dos vencimentos de Lula, do vice-presidente José Alencar e dos 37 ministros de Estado. O do presidente passará para R$ 11.420,21, vice e ministro ganharão R$ 10.748,43.

Foram 10 horas de sessões extraordinárias, que tiveram muitos desentendimentos. O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) disse que a Câmara gasta excessivamente com viagens, o que causou irritação do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), que gritou: “Mentira!”

O custo de cada deputado está passando dos R$ 100 mil, considerando salário, passagens aéreas, auxílio-moradia, escritórios, locomoção e comunicação. A proposta ainda precisa ser aprovada pelo Senado.

Retirado de www.diegocasagrande.com.br

terça-feira, 8 de maio de 2007

Pergunta

É engraçado: geralmente é durante ou após as aulas que me vêm um assunto para um post. Podemos aprender com a ignorância?

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Universidade Pública em risco?

Acabo de chegar da aula; hoje terminou mais cedo e aproveitei para passar na reitoria, onde está havendo a ocupação pelos estudantes. Eles reivindicam algumas coisas importantes, entre moradia, assistência médico-odontológica etc, mas o principal se relaciona aos tais decretos do Serra. Havia alguns professores no local expondo prós e contras da ocupação, manifestando apoio e também dando conselhos... Enfim, um "bate-papo" com microfone para que todos pudessem ouvir.

Realmente a situação é grave, pois como se não bastasse a falta de verbas que já conhecemos há tempos, agora esses decretos ferem totalmente a autonomia da Universidade de São Paulo, bem como Unicamp e Unesp. Resumidamente (e dentro do pouco que sei), para qualquer decisão a USP precisará se reportar a essa Secretaria do Ensino Superior (acho que é esse o nome) para aprovação; ou seja: para contratar professores, para reformas, para comprar papel ou clipes. Para tudo.

Isso não significa só lentidão nesse processo, mas um recadinho de que as universidades públicas precisam "se virar" para conseguir suas verbas, que não contem tanto assim com o governo de agora para frente, pois este não vai simplificar as coisas. E, seguindo esse raciocínio, onde as universidades conseguiriam essas verbas? "Ah, com parcerias com empresas privadas, por exemplo". Bom, pode ser, mas a liberdade de pesquisa fica comprometida, pois não é todo dia que encontra-se uma boa alma disposta a financiar uma pesquisa de base sem nenhum resultado financeiro à vista nem a longo prazo. Isso para começo de conversa.

Tem muitas coisas envolvidas além disso, como a burocracia total na própria USP, independentemente de qualquer decreto. Pra começar, os estudantes não participam da escolha do cargo de reitor. Pelo que entendi, os diretores de cada unidade (da FEUSP, da FEA, da ECA, da POLI etc), que são uns 90 e poucos no geral, votam e definem uma lista tríplice, e dessa lista acho que o governador (ou o Conselho de Educação...) escolhe o nome. Parece coisa de Idade da Pedra. Inacreditável, questionável e nada democrático. Afinal, a Universidade é tanto dos professores quanto dos alunos (quanto da sociedade que não está lá dentro).

Bem, a coisa está complicando, e algo com o qual vi todos concordarem até agora é o fato de que em muuuuitos anos ninguém viu um ataque tão atroz à Universidade Pública - desde a ditadura. Parece que a saída mais provável - pelo menos como forma de protesto e tentativa de mobilização da sociedade - será uma greve geral. Para mim individualmente não seria bom, mas concordo que está ficando tudo errado por demais, não há muita escolha mesmo. Até porque ninguém está comentando o assunto: nem jornal, nem amigos nem nada. Ou seja, vai ser preciso uma atitude radical para chamar atenção de todos. Espero que as coisas se encaminhem. Não sou uma pessoa muito participativa nessas mobilizações, mas vou acompanhar e tentar participar em pelo menos alguns momentos.

Ai ai... muita coisa, muita coisa acontece nesse mundo. Sei se tem jeito não, viu...

Novo músculo

Conversando com minha prima querida descobri um novo músculo no corpo masculino: o pânceps! Sinceramente, prefiro um pânceps e uma mente forte que bíceps-tríceps-etcéteris e nada para compartilhar. Mas também não quero dizer que não tô nem aí para o visual - estaria mentindo se o dissesse. Só digo uma coisa: essa coisa de beleza é muito relativa. E ainda bem!

Um post meio down :[

Queria falar sobre os decretos do Serra, sobre a burocratização de uma universidade que já é burocrática por demais, como a USP; e sobre a situação das universidades no país todo, totalmente sucateadas, abandonadas, empurradas cada vez mais para uma privatização (pois é...); queria falar da maldita imprensa desse país que faz muitas vezes uma cobertura totalmente parcial dos fatos; queria falar sobre esse troço na França: o cara da direitona venceu as eleições! Sobre a descoberta da maior jazida de petróleo na China dizendo que eles não querem saber de aquecimento global; sobre nós acharmos que também não temos nada a ver com isso pois o Brasil não polui tanto assim...; queria falar de amor, de ódio, de muita coisa. Mas estou me sentindo sem forças esses dias. Sei lá... uma depressãozinha baixou no meio de tantas más notícias. Às vezes dá um desânimo... a gente não sabe nem por onde começar. Muita coisa errada, muita coisa. O que eu disse a alguns amigos com quem conversei nesse fim-de-semana foi: "pelo menos daqui a alguns bilhões de anos tudo vai acabar mesmo, a Terra vai estar próxima demais do Sol e vai explodir etc etc". E aí me dizem que encontraram um planeta fora do sistema solar com temperatura entre 0 e 40 graus. E aí, isso é uma boa ou uma má notícia?

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Balão

Chegou a hora de abrir a mão,
soltar os dedos, largar a corda
e deixar o balão voar.
Ele vai subir, subir, subir,
vai se tornar um ponto no céu
e sumirá no azul.

Ficarei olhando aqui de baixo,
talvez com olhos marejados,
e o aperto que estava em minha mão
sentirei no peito.

Mas pelo menos verei um ponto no céu.
Um ponto final.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

E me lembrei de que...

... li não sei onde sobre a importância excessiva que damos à palavra.

Deve ter sido em algum treco de filosofia. Mas concordo, muito. Ainda mais com nossa belíssima língua portuguesa, que nos tenta a ficar falando, falando, falando... Mas, sinceramente, os atos deveriam contar muito mais.

Isso vai desde política (num país de discursos empolgantes, promissores e corretos, mas com pouca ação concreta no exercício do dever) até amor (pois é fácil falar que amamos mas complicado agir com esse amor...).

O velho ditado é muito sábio: faça o que eu digo mas não faça o que eu faço. E o pior é que às vezes estamos tão acostumados ao blá blá blá que um ato incisivo assusta.

Essa é uma nova tentativa minha a partir de hoje: comunicação mais através de atos que de palavras. Será que consigo? ;)

Ainda é maio

Dia de sono... E uma certa tristeza; é que sinto o inverno cada vez mais próximo. Hoje o vento está frio, apesar do sol. E meu espírito sempre acaba hibernando um pouco nesses meses. Um dia acabo mudando para mais perto do Equador, para ter meu querido sol o ano todo, e com ele muito calor.

Ainda bem que não nasci no norte, na neve, nos dias curtos.

Ao contrário do que alguns costumam dizer - que a necessidade de se inclausurar leva o homem a se dedicar mais ao pensamento - eu penso mais no calor. Acho que, tirando dormir, faço mais de tudo no calor.

E ainda é maio... :(

terça-feira, 1 de maio de 2007

O trabalho

E escrevendo o post anterior, lembrei que hoje é o Dia do Trabalho - 1º de maio. Dizem por aí que o "o trabalho dignifica o homem". Bom, posso até concordar se estivéssemos em outra sociedade. Mas atualmente, o trabalho, para mim, se tornou escravidão. Posso usar o termo escravidão branca?? Bom, é que nascemos, crescemos, amadurecemos ouvindo que precisamos nos preparar, estudar, fortalecer para competir com os outros no campo de batalha que e o "mercado de trabalho"; e se não formos "os melhores" não seremos ninguém; sim, pois nesse sistema, quem não produz não tem valor. E temos que encarar os demais como adversários potenciais a nossa escalada rumo ao degrau mais alto almejado por todos. Ou apenas nos submeter às condições mais ridículas para simplesmente conseguir comprar alimento para a família ou ter um teto ou ter o mínimo conforto tal qual água quente e tv. Isso é dignificar???? Desde quando??? Isso é se rebaixar a "coisa", a mero "instrumento". E o que se ganha em troca? Uma migalha do que se chama salário, que não dá pra nada, apenas cala a boca das pessoas que seguem sua vida achando que têm que estar muito felizes por "pelo menos ter um emprego". O ser humano é mais que isso. Não é comer, dormir e trabalhar, como faz grande parte da população mundial. E o resto??? E viver? E pensar sobre a vida, apreciar artes, produzir conhecimento, divertir-se, sorrir? É triste ver, por exemplo, nas promessas de nosso atual presidente: emprego e fome zero. As pontas de lança de sua campanha. O que isso quer dizer??? Que é isso que as pessoas querem? O que há com a humanidade??? O que há com o brasileiro para se contentar com isso??? E o brasileiro não é o "povão" só. São pessoas que todos nós conhecemos e convivemos. O brasileiro sou eu. Somos nós - que nos submetemos a fazer coisas que não gostamos, nas quais não acreditamos, recebendo por isso o que não achamos justo e ainda assim não conseguimos dizer "chega". O trabalho realmente deveria dignificar o homem, pois através dele, principalmente, nos diferenciamos de outros animais por conseguirmos compartilhar o aprendizado e melhorar sua qualidade e suas condições; o trabalho uniu o homem na formação das primeiras sociedades. Mas não. Isso não é o que tenho visto. O que encontro é uma divisão "cada um por si e ninguém por todos".

Talking to myself

Se eu pudesse saber o que vai ser... Pela primeira vez em muito tempo não estou impelida a tentar. Medo? Talvez, mas acho que não. Acho que é mais por não acreditar de verdade. Não acredito de coração, mas realmente desejo de coração. E é difícil me desvencilhar... arrasto uma história com impressão de monólogo. Mas eu continuo querendo saber como seria. Algo insiste em me dizer que seria bom, sim...

"You say good bye and I say hello".