sábado, 10 de março de 2007

Filosofia

Tive boas notícias ontem na minha primeira aula de Filosofia da Educação: vamos estudar O Emilio este semestre. Nunca li Rousseau, apenas excertos esporádicos. Acho que vou adorar. Bom, se trata de nada mais nada menos que um dos caminhos apontados por Rousseau para recuperar o homem. O outro, além da educação, seria a política, e está abordado em O Contrato Social - outra obra dele que preciso ler o quanto antes!
Fora essa boa notícia, a aula de ontem também foi ótima porque cada vez mais sinto proximidade entre minha forma de ver o mundo e a de meus colegas de sala. Pode ser um pouco cedo para essa afirmação, mas tudo indica que minha opinião inicial só tende a se confirmar...

sexta-feira, 9 de março de 2007

Coisa ruim





















Tem um certo coisa ruim hoje em São Paulo.
Acho mais prudente não dar bobeira e espantar os maus espíritos...

Tempo azul



O tempo azul reflete

a vida que se passa aqui dentro.

Hora ou outra aparece uma nuvem

mas não esconde o sol muito tempo.

E assim, como raios calorosos,

uma a uma palavras fluem

e alimentam a expressão do ser:

flores da consciência,

brotos do interior profundo,

gigantesco caule do eu.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Dia Internacional da Mulher



Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Muitas mulheres são contra, muitas são a favor; os homens também se dividem em pró e contra.

Eu gosto desse dia. Por vários motivos. O primeiro e mais bobinho, mas singelo, é a lembrança da primeira vez em que alguém me disse "parabéns, hoje é o seu dia - dia da mulher". Eu pensei "nossa, eu sou mulher... não sou menina, não sou garota, agora sou MULHER". Eu não havia percebido ainda que já era vista como tal, e me senti muito, mas muito bem! Não que me sentisse mal antes. Mas fiquei com orgulho de mim por estar crescendo, amadurecendo, por...florescer. Não há outra expressão. E sei que, apesar de nossas choradeiras eventuais, nossos dengos, nossa sensibilidade nata, apesar de toda aparente fragilidade, nós somos fortes, intensas, decididas, somos magnéticas, somos vida.

Gosto dessa data também porque acho importante esse olhar especial por um dia para nós. Muitos podem achar que as mulheres já alcançaram a igualdade que tanto querem. Mas essa frase tem dois pontos erradíssimos.

O primeiro é que NÃO alcançamos igualdade. Há preconceito, há discriminação - em todo lugar: no trabalho, na escola, na faculdade, no trânsito, na política, dentro da nossa mente...E vem de todos, de homens e de mulheres. Isso eu já senti muito na pele, no dia-a-dia, inclusive em lugares onde as pessoas são vistas como de "mente aberta". Isso eu já vi acontecer com familiares, com amigas, com colegas. E o dia de hoje de certa forma leva a sociedade a pensar no nosso papel - que é fundamental. É óbvio que vai haver gente dizendo "para que esse dia?", "se vocês querem igualdade, deveriam negar um dia só para vocês", e a melhor: "se tem dia da mulher vou querer também um dia do homem". Deixo dizerem. Eu continuo apreciando um dia dedicado a esse gênero que ainda passa por muitos percalços para construir seu lugar.

O segundo ponto errado daquela frase é o que afirma querermos igualdade. Não queremos. Queremos as mesmas oportunidades, os mesmos direitos, os mesmos deveres, mas queremos ser vistas como mulheres. Somos diferentes. Por que negar? Queremos ser tratadas como mulheres. Quero respeito, quero gentileza, quero educação, quero compreensão. Quero não ser olhada "a torto" no trabalho se tiver que sair para cuidar de um filho doente; quero não ser criticada se precisar sair por estar com cólica; quero não ser vista como "encalhada" se não quiser estar casada aos 35; quero compreensão se, numa discussão, me der vontade de chorar ao invés de bater; quero dizer "não vou ter filhos" e não ser vista como um alien; quero poder ser "só" dona de casa sim, e daí?; quero ser vaidosa sem que me vejam como fútil; quero que abram a porta do carro para mim; quero que me tratem com a mesma seriedade no trabalho com que tratam um colega; quero não ser vítima de força física para que não destruam minha força emocional; quero que os homens não tenham medo de minha capacidade, de minha inteligência, de minha independência. E quero ser amada por isso tudo. Não só por meu homem, mas por minha família, por meus amigos e amigas, meus colegas de profissão, por meus filhos.

Ser mulher não é fácil - isso já foi dito mil vezes. E fazer de nós mulheres não é só papel nosso. É também papel dos homens. As feministas que me perdoem, mas cavalheirismo é fundamental... As diferenças entre ambos os sexos existem também para que algo seja compartilhado - elas não têm que ser eliminadas. E isso inclui a forma de tratarmos uns aos outros. Quando digo querer cavalheirismo, não quero ser mimada. Quero respeito e educação no meu tratamento. Ser cavalheiro não é apenas deixar a mulher entrar na frente, é vê-la no cotidiano como tão capaz quanto um homem, mas tratando-a com ar especial, e não superior. Ser cavalheiro é ver beleza em nossas diferenças, é admirar o "ser mulher" e tentar adornar isso com gestos de carinho e compreensão. O respeito mútuo só torna o homem mais homem e a mulher mais mulher.

Por isso tudo, digo que gosto, sim, do fato de haver um dia para mim, para todas as mulheres. É, no mínimo, uma oportunidade de dizer o que pensamos. E o que penso sempre, acima e apesar de tudo, é que, tanto quanto amo o que há de diferente nos homens, amo ser mulher.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Música da semana

Sábado, vindo para casa de um almoço, ouvi uma música na Brasil 2000 muito bacana. Não curtia tanto nenhuma música de primeira desde que ouvi Yoshimi Battles the Pink Robots ano passado. É do álbum novo do The Killers, e, pelo local onde se passa o clipe e por partes diversas da letra, vou dedicá-la a meus (muito) queridos amigos orientais - quem me conhece sabe que são bastantes! Alguns me conhecem mais que eu mesma e me fazem realmente sentir sua falta quando ficam longe...

"So oh I don't mind if you don't mind
Coz I don't shine if you don't shine
Before you go can you read my mind?
...put your back on me..."

Ouçam...

Ladeira abaixo

Ladeira abaixo eu caí.
Pedaços de mim se espalharam
e nesses pedaços ficaram
as partes que partem de ti.

Ladeira abaixo eu caí
e ‘inda assim, já quebrada,
aos cacos, pela calçada,
em mim teus traços eu vi.

Ladeira abaixo eu caí,
tentando partir-me de ti.
Mas qual! Mal sabia eu
que em mim nada mais era meu.

Ladeira abaixo eu caí,
ladeira abaixo fiquei.
E depois que meus cacos colei
mais tu do que eu me senti.

terça-feira, 6 de março de 2007

Meu nariz reclama

São Paulo tem estado muito quente e seca nos últimos dias. O resultado disso para mim foi uma crise alérgica que está virando resfriado e afetando também a garganta. E pensar que os efeitos disso num indivíduo que nasceu e sempre morou aqui podem ser piores ainda me leva a questionar se valerá a pena continuar na cidade no futuro, quando eu quiser construir uma família. Essa cidade é maravilhosa, mas poderia ser a melhor do mundo se algumas medidas tivessem sido tomadas. Acredito que ainda há tempo, mas falta atitude. Inclusive minha - cobrar mais o que acho necessário que se mude, principalmente. Falta verde na cidade, faltam áreas públicas de lazer (os parques existentes não são suficientes, basta ir a qualquer um no fim-de-semana para comprovar), falta silêncio, falta enxergar que um bom nível de qualidade de vida influi - e muito - na saúde da população. Proporcionar isso é também um modo de prevenção de doenças. Essa cidade cresceu sem uma preocupação urbanística verdadeira e agora fica muito mais difícil corrigir problemas. Bom, vou por enquanto torcer por uma boa chuva que aumente a umidade relativa do ar e ajude meu nariz a curtir a cidade...

segunda-feira, 5 de março de 2007

Uso de drogas

Não sei bem o que a maioria das pessoas acha...Ainda não tive oportunidade de esbarrar com uma dessas pesquisas de opinião sobre o assunto. Mas eu particularmente sou a favor da legalização das drogas. Como grande em parte das decisões que devemos tomar, acho que o fato de usar ou não algum entorpecente também não cabe ao Estado, mas ao indivíduo. E a melhor forma de proteger um cidadão para que ele esteja ciente quanto às conseqüências de seus atos é dando-lhe meios para se informar, fornecendo a ele desde cedo, desde sempre, condições para que se torne um indivíduo consciente, capaz de decidir por si só o traçar deste ou daquele caminho. Isso vem com a educação escolar, familiar, através da sociedade como um todo. Quer dizer, deveria vir... Enquanto isso, somos obrigados a ver essa hipocrisia que é, por exemplo, a proibição do uso da maconha paralela à permissão do uso de cigarro. Assunto longo esse, mas minha linha de pensamento segue mais ou menos por esse caminho.

domingo, 4 de março de 2007

Para assistir


Para mim essa é uma das cenas mais emocionantes do cinema: Bela Lugosi filmado por Ed Wood. Não encontrei a versão de Tim Burton no You-Tube, mas é igualmente linda.
http://www.youtube.com/watch?v=s1k9Zq6mbeA

Não faria mal ter esta vista agora...

Soneto da solidão

A solidão é um quarto frio
construído dentro do peito
é uma dor que não tem jeito
é uma falta que teima em ficar

é não existir em si mesmo
é a implosão do sossego
é já desistir do dia
antes de qualquer tentar

A solidão é uma força inversa
é uma vontade perversa
de nada mais desejar

é ter uma obrigação de vida
é sentir a alma ferida
sem ao menos querer se curar

Domingo

Manhã de sol! Queria muito um jardim; ou pelo menos uma varanda. Definitivamente um de meus planos para o futuro é ter uma pequena propriedade no meio de uma mata, com nascente e tudo. Com o passar dos anos uma paz de espírito vem crescendo em mim e acho que nada combina mais com isso que natureza. Mas por enquanto todo esse concreto ainda me é necessário!

sexta-feira, 2 de março de 2007

Depois de algumas I

A frase perfeita pra hoje é do meu querido Maiakovski:
"Antes morrer de vodka que de tédio!"

quinta-feira, 1 de março de 2007

E o ano começa

Hoje é 1º de março e parece que o ano realmente vai começar. Eu, pelo menos, já estou colocando em prática algumas daquelas promessas de ano novo: aula de espanhol, nova tentativa de médico para o joelho, blog em andamento, livros escolhidos na cabeceira...A faculdade fica pra segunda, mas não por culpa minha ;) - antes disso não haverá aula.

Adoro esse começo de ano. Parece que tem mais chance de coisas novas acontecerem. Apesar das notícias me jogarem o contrário na cara.

Como diz aquela música: tocando em frente!

Declaração

Queria ainda ter a inocência
de acreditar piamente nas coisas.
Que o sol nasce para todos
e que esses todos são iguais.
Que o amor é eterno.
Que um dia tudo será diferente.
Que o homem, na essência, é bom.

Mas até o que era concreto
os filósofos me tiraram.
Não existe verde, azul,
não existe eu.
Não existem verdades.

A rosa se abriu
e mostrou coisas tristes.
Minha esperança é golpeada
dia a dia, basta abrir os olhos.
Mas ainda assim não desejo o escuro.
Antes ter a carne ferida porém viva
que o sangue intacto mas aguado.
Desprezo o medo de sofrer.
A vida, não a temos à toa.
De que valeria a música
numa terra de surdos?
Sei que nem tudo é música,
sei que existem sirenes,
tiros, motores, gritos.
Mas se causam dor,
podem causar também ação.
De que adianta seguir a linha,
a fila, o esperado,
a vidinha de sempre,
e deixar a sirene passar?
Para algum lugar ela vai,
e minha inércia me contradiz.

Devo segui-la,
desvendar seus motivos,
entender sua força,
conquistar o seu fim.
Desistir seria o golpe derradeiro,
seria deixar de existir.
Seria-me um coma.